
Eugénio de Andrade |
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Suave juventude que se acerca de nós ao despontar da noite. Solicitude ou vésperas de encantamento? C omo poderemos nós permanecer vivos até ao renascer do dia? Como poderemos descansar ao sabor do vento de um renascimento constante que apresenta-se entreaberto pelas vagas de um tempo que passa descontraidamente? Olhemos à manhã e ofereçamos-lhe a nossa vontade. Só a ela se ressente a realidade. S ó a ela nos transfigura o amanhecer de novo.
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